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quarta-feira, 7 de março de 2007

E o Serra criou um 'monstrengo'...

Quem procurava uma explicação sem rodeios para o autoritarismo do governador José Serra depois que este interveio nas universidades públicas paulistas pode encontrá-la no artigo Frankenstein na volta às aulas, na Folha de S. Paulo de hoje (7), assinado pelos professores Alcir Pécora e Francisco Foot Hardman, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Duas perguntas ácidas e certeiras feitas pelos articulistas na Folha resumem o que está por trás dos interesses de Serra ao tentar engessar as universidades públicas. Veja os trechos que reproduzo abaixo:

"Por que a melhor pesquisa científica, tecnológica e em humanidades e a melhor educação superior pública do país devem ser lançadas na vala comum da indústria privada de diplomas, que ora o secretário Pinotti pretende refundar sob a alcunha de "Sistema de Ensino Superior do Estado"?

Por que arrastar o setor de ponta da formação superior de professores e pesquisadores para o mesmo processo de mediocrização que gerou o desmanche da escola básica, fundamental e média, processo de que os governantes são artífices ou cúmplices, no Brasil e, muito vergonhosamente, no Estado de São Paulo, conforme demonstram, com dados terríveis, reportagem de capa e caderno especial desta Folha, em 8/2, e, agora, em 6/3, na reprovação de todas as mais de 600 escolas estaduais da capital paulista no último Enem?".

Assinante da Folha/UOL clica aqui para ler o artigo completo.

Recomendo a leitura do artigo dos professores da Unicamp como forma de entender melhor essa questão preocupante do avanço autoritário na gestão estadual e para reforçar os argumentos para combatê-lo.

PS - Não tarda e algum representante da holding tucano-pefelista Desculpobras dirá que "pesquisou" (não se sabe onde) e encontrou as digitais do PT no artigo acima. Ainda mais que o diretor-geral da Desculpobras tucana é o próprio Serra.

Um comentário:

  1. A visão dos tucanos para a educação, principalmente o ensino superior, é que tem que ser autosuficiente, ou seja, dar lucro. Se uma universidade não produz algo rentável, então ela é um fardo que deve ser eliminado. Na visão estreita dos tucanos, pesquisa é inutil e um gasto desnecessário. Me lembro de uma antiga história que aconteceu no século dezenove, na Academia de Ciência de Londres. Numa das suas reuniões, com a rainha presente, Michel Farady realizou uma experiência onde ao movimentar um imã dentro de uma bobina, aparecia corrente elétrica que fazia o ponteiro de um galvanômetro (aparelho que mede a corrente elétrica)se mexer. Para aquela época, isso parecia mágica, tanto é que a rainha perguntou ao cientista, qual a utilidade prática daquele fenômeno. Farady respondeu que aquela experiência tinha a mesma utilidade de um recém nascido. A universidade tem que realizar pesquisas, que podem não ter nenhuma utilidade imediata, mas no futuro podem ser muito úteis. Segundo a ótica dos tucanos, os recém nascidos devem sair dos berços e começarem a trabalhar, imediatamente!

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