quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Um pouco de Déa Trancoso


Mineira de Almenara, pai e mãe seresteiros, Déa Trancoso não demorou a demonstrar vocação e talento para a música popular. Cresceu ouvindo de tudo no rádio, principalmente cantores como Orlando Silva, Nelson Gonçalves, Clara Nunes, Inezita Barroso, Clementina de Jesus e a dupla Cascatinha e Inhana. Também foi influenciada pelos violeiros, cantadores e foliões do Vale do Jequitinhonha, região conhecida pelo contraste entre a pobreza material e a riqueza da cultura popular.

Formada em Jornalismo pela PUC Minas, Déa também estudou técnica vocal, mas jamais abriu mão da sensibilidade e da emoção em seu canto. Depois de vários festivais e shows, participou, em 2002, do CD O Violeiro e a Cantora, a convite do compositor Chico Lobo, viabilizado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.

Déa Trancoso é artista de voz despojada e solta como as cantoras populares do Vale do Jequitinhonha, sua terra natal. Tum Tum Tum, seu primeiro cd solo, faz, com rara sensibilidade, deslumbrante viagem de volta às terras de sua infância”. Carlos Herculano Lopes - escritor

DÉA TRANCOSO CANTA - GRANDE PODER

A esquerda pós-Lula

O professor Gilsom Caroni Filho em seu artigo publicado no site Carta Maior faz uma boa análise sobre o papel do Partido dos Trabalhadores no período pós-Lula. Ele afirma: “Lula já assegurou seu lugar na história. Foi o fiador bem-sucedido de um novo projeto de país. Sob seu comando o Brasil cresceu, possibilitando o ataque imediato aos problemas de exclusão social, incorporando dezenas de milhões de brasileiros ao mundo do consumo. Sem abandonar a estabilidade, operou de forma consistente processos de redistribuição de renda que, contribuindo para a ampliação do mercado interno, tiveram função irradiadora sobre o conjunto da economia, incluindo tanto os setores de bens duráveis como os de bens de capital.”

Caroni fala do enfraquecimento do PT depois da crise vivida em 2005, da necessidade do PT voltar a assumir o seu papel enquanto partido de esquerda, articulando os movimentos sociais com vista a construção do socialismo. Sobre o papel do partido para o próximo período, o professor sugere: “...o PT não pode mesmo se confundir com sua principal liderança que, na percepção do eleitorado, se autonomizou do partido. A legenda vive o dilema de não poder permanecer a reboque de Lula e muito menos a ele se opor em qualquer questão.Clique aqui para ler o artigo. Vale a pena.

Kassab não cumpriu metade das promessas

Da Folha Online

"José Serra (PSDB) fez 161 promessas na eleição de 2004. Está documentado em seu programa de governo. Elegeu-se prefeito. Gilberto Kassab (DEM) conclui hoje o mandato herdado após a renúncia do tucano em 2006 para ser candidato a governador do Estado.

Após um ano e três meses de Serra e dois anos e nove meses de Kassab, 87 promessas não foram cumpridas --54,04% do total. Só 28 (17,4%) foram integralmente cumpridas. Outras 46 (28,57%), parcialmente.

A lista das promessas foi entregue à assessoria do prefeito no dia 5 de dezembro com pedido para que fosse contestada a avaliação item por item. Não houve resposta". Leia mais.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Entrevista com Zé Dirceu


O jornal O Estado de São Paulo publicou hoje (30), entrevista com o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. O ex-ministro fala com convicção de sua inocência, demonstra confiança na sua absolvição pelo o STF, fala da possibilidade de requerer sua anistia por faltar provas as acusações a ele imputadas, fala com entusiasmo de sua militância política no PT e projeta a ministra Dilma como uma boa candidata a presidência da República. Leia abaixo, vale a pena:

Estado - Três anos depois de ser cassado, o senhor ainda pensa na possibilidade de anistia?
José Dirceu - Depende. A rigor eu tenho direito à anistia, porque a Câmara dos Deputados me cassou sem provas. Fez uma cassação política, mas não no sentido que os deputados dão, de que uma cassação sempre é política. É lógico que é política, mas no meu caso, formou-se uma maioria, independentemente de eu ser culpado ou não, o que evidentemente é inaceitável. É uma ilegalidade e a Constituição me garante a verdade, a presunção da inocência, a não culpabilidade. Então, eu poderia sim pedir a anistia. Mas tomei a decisão de não fazê-lo até ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal. E tenho certeza que a absolvição vai acontecer. Não tenho medo do julgamento e espero ser julgado o mais rápido possível para que eu possa pedir a minha anistia. Se o STF der sinais ou provas que só vai julgar em 2013 ou 2014, ou seja, 8 ou 9 anos depois que fui acusado de chefe de quadrilha e corrupto, evidente que vou pedir anistia. Até porque acredito que tenho esse direito.

Estado - Qual seu projeto para retomar suas atividades políticas?
José Dirceu - Faço atividade política, nunca deixei de fazer. Faço ou para me defender, ou para participar como militante da vida interna do PT, ou ainda como cidadão, como profissional. Participo do debate político do País com o meu blog (http://www.zedirceu.com.br/), com entrevistas, palestras. Trabalho como advogado e consultor, sempre tendo em vista um projeto de desenvolvimento para o País. Não trabalho como advogado e consultor olhando só a minha atividade profissional e a minha sobrevivência. Gostaria de voltar plenamente à atividade política, mas não tenho projetos sobre o que vou fazer. O meu projeto agora é me defender, provar minha inocência.

Estado - Durante a Satiagraha, o senhor reclamou de grampo e de invasão em seu escritório. Ainda acha que seus passos estão sendo monitorados por órgãos do governo?
José Dirceu - Meu caso - e agora tenho a visão de tudo o que aconteceu esse ano - é escabroso, um case mais do que um caso. No começo do ano, soube pela imprensa que o sigilo do meu telefone tinha sido, por autorização judicial de um juiz (Fausto de Sanctis), interceptado a pedido do promotor público do caso Satiagraha. Era o mesmo promotor do caso MSI Corinthians, como também o delegado é o mesmo na Satiagraha e no caso MSI Corinhians (Protógenes Queiroz). Pois bem, até hoje - e basta olhar o inquérito para ver - não há nenhuma fundamentação legal para interceptação telefônica. Mas houve a interceptação, e não só a minha, como a do meu advogado, do assessor que faz a minha agenda, do advogado do escritório a mim associado em Brasília, de um outro assessor meu em Brasília e da Evanise Santos, minha companheira. Essas interceptações telefônicas estão caracterizadas como abuso de autoridade. Eu, infelizmente, não representei contra o juiz no Conselho Nacional de Justiça naqueles meses de abril e maio, quando isso veio a público. Fiquei sabendo pela imprensa, e basta ler o inquérito do MSI Corinthians, para ver que não há nenhuma razão. Na verdade, o objetivo deles já era a Operação Satiagraha. Não sei por que razão, mas toda a investigação da Satiagraha demonstra isso. Inclusive, não há uma única vez a citação do meu nome, e olha que é quase um ano e meio de investigação. No relatório do inquérito eu sou citado naquilo que é uma verdadeira fraude do delegado. Então, o HD, os e-mails e o relatório (da investigação) mostram que havia um objetivo pré-determinado, e depois se procurava encaixar os fatos ao objetivo de me prender e transformar num grande evento sensacionalista a minha prisão. Isso quando eu não tenho nada a ver com a Operação Satiagraha, com o Oportunity e nem com o Daniel Dantas. A própria investigação deles prova isso. Tenho a meu favor que todas as investigações feitas até agora a meu respeito me inocentam.

Estado - Qual a sua relação com o presidente Lula? Se falam, se visitam? Quando foi a última vez que conversaram?
José Dirceu - Minha relação com o presidente Lula é de companheiro, de amigo e de um ex-ministro, ex-presidente e ex-deputado do PT. Não é a mesma relação que eu tinha antes com ele, uma relação de trabalho, de dia-a-dia, de construção de um projeto. Eu encontro o presidente quando ele sente que existe necessidade. Não o tenho visto com freqüência.

Estado - É verdade que políticos, governadores e integrantes do próprio PT procuram o senhor para discutir assuntos de interesse do governo?
José Dirceu - Não diria que me procuram. Mas diria ser natural, porque nunca parei de atuar e militar politicamente. Para entender as relações que mantenho com governadores, parlamentares, senadores, deputados, prefeitos e dirigentes do PT é preciso lembrar que militei no partido de 1980 a 2008. São 28 anos, não é pouca coisa. É mais do que natural que eu continue militante. Não é porque não sou mais deputado, nem ministro e porque sou acusado injustamente de corrupto ou chefe de quadrilha, que deixo de ser militante. Não se pode apagar 40 anos de vida política. No fundo, essa questão se eu mantenho ou não mantenho relações políticas com vários políticos é um jogo dos próprios setores da direita, da mídia, para me manter interditado, para eu não fazer política.

Estado - Qual a possibilidade, na sua avaliação, de a ministra Dilma Rousseff emplacar como candidata do PT em 2010?

José Dirceu - Grande. Ela, na verdade, a cada mês que passa, conquista a adesão de militantes e dirigentes do PT. Cada dia é mais conhecida no País. É a candidata do presidente Lula, do PT e tem grandes chances de ir para o 2ª turno. As pesquisas já estão mostrando isso. O mais provável é que nas próximas pesquisas, depois do Carnaval, a Dilma esteja já com a mesma votação do Ciro Gomes (PSB) e do Aécio Neves (PSDB). Eu acredito que uma candidata apoiada pelo PT e pelo Lula, por uma coalizão que inclua o PSB, PC do B, PTD, o PR - a legenda que indicou José Alencar para ser o vice do Lula duas vezes - e o PMDB tem grandes chances para ir ao 2º turno. Os tucanos se comportam como se o Serra (o governador de São Paulo José Serra) já estivesse eleito, mas essa história está distante da realidade. Primeiro, o Serra tem que disputar com o Aécio; segundo tem que conquistar Minas e o Rio, porque o Nordeste e o Norte ele não vai conquistar; terceiro, São Paulo e Minas, portanto o Serra, serão tão ou mais afetado do que o País pela crise em nível nacional. Minas será afetada por causa da indústria siderúrgica, de mineração e automobilística, e São Paulo pelo serviço financeiro, comércio, serviços gerais, e construção civil. Esse raciocínio de que "o Lula vai ser afetado pela crise", é um jogo da mídia, um jogo de palavras. Por que o Lula vai ser afetado e os governadores não? Não vão ser afetados porque a mídia vai protegê-los e atribuir ao Lula a responsabilidade pela crise? Com esse raciocínio é isso que estão dizendo. Porque fato por fato todos serão afetados pela crise: prefeitos, governadores e presidente da República. A arrecadação vai cair para todos, os investimentos vão ser menores para todos, o desemprego vai valer para todos - a não ser que a responsabilidade - e tudo indica, é o que quer a imprensa - seja só do Lula e não dos governadores e dos prefeitos. Eu não vejo por que nós não possamos vencer essas eleições de 2010. Na verdade, nós estamos no governo. Eles é que têm de ganhar a eleição. E o provável é que nós vençamos e não eles.

Estado - O senhor vai participar na campanha?
José Dirceu - Não posso dizer o que farei em 2010. O que posso dizer é que vou dedicar todo o meu tempo e esforços, toda a minha inteligência, energia e experiência para ajudar o PT e o Lula a continuar governando o Brasil. Como vou fazer, com qual intensidade e em que nível, depende das circunstâncias e da conjuntura política.


Estado - O senhor acha que o Gilberto Carvalho é o melhor nome para presidir o PT?
José Dirceu - Seria uma excelente solução. O Gilberto já militou no PT, foi secretário nacional do partido, já ocupou cargos de sua direção em vários níveis, militou no movimento popular, e nas Comunidades Eclesiais de Base. E tem essa experiência extraordinária de governo, de ter sido secretário do presidente nos últimos seis anos. Ninguém melhor, nem mais do que ele está preparado para ser presidente nacional do PT. É um nome excepcional, seria uma grande solução.

Estado - O senhor acredita que a disputa em 2010 será polarizada entre Dilma e o governador José Serra?
José Dirceu - Não necessariamente. Hoje não se pode afirmar isso de maneira definitiva. A tendência é essa - o Serra ser candidato pelo PSDB, DEM, PP, PPS e talvez o PV; e a Dilma ser a candidata pelo menos do PT, talvez do bloco PC do B - PDT - PSB (se o Ciro não sair candidato por esse último) com apoio, talvez, do PMDB. Outra possibilidade é de o PMDB ficar neutro, ou ter uma candidatura própria. E candidaturas outras têm a do Ciro Gomes e a do Aécio Neves. A do Aécio tudo indica que não se viabilizará no PSDB. A do Ciro Gomes está com dificuldades para se viabilizar. E tem a Heloísa Helena que pode ser candidata pelo PSOL, mas é uma candidata sem idéia, e como sua candidatura mostrou na eleição de 2006, é uma candidata que tende a ir perdendo os votos, redistribuídos durante o debate e o processo eleitoral, quando o eleitor toma outras decisões.

Estado - A crítica que se faz a esses dois (Dilma e Serra) é que seriam candidatos para assumir e administrar o Estado, mas não capazes de unir a sociedade e o Estado, como o fizeram FHC e Lula. Como avalia isso?
José Dirceu - Essa pergunta leva a uma só solução: teremos que dar um terceiro mandato ao Lula. Por ela, o Lula e o Fernando Henrique têm de ser candidatos. Não é assim. Evidentemente, o Serra tem história e lastro para ser presidente da República. Uma coisa é eu não votar nele e querer eleger a Dilma Rousseff , outra é ele e a Dilma terem ou não lastro para saírem candidatos. E isso eles têm. Os dois têm lastro para serem candidatos.

Estado - De que o senhor vive hoje? Quais são seus rendimentos?
José Dirceu - Dos mesmos rendimentos dos quais vive a jornalista que me pergunta. Eu trabalho como ela trabalha, 8, 10, 12 horas por dia como advogado e consultor. São profissões como é a de jornalista, não há nenhuma diferença. Trabalho, às vezes, inclusive, nos fins de semana. E eu não mudei o meu padrão de vida. A minha vida continua absolutamente igual todos esses anos.

Estado - Acha que o presidente Lula mudou muito desde que chegou a Brasília e assumiu o poder?
José Dirceu - Mudou. Muito. Primeiro, porque é presidente da República. Segundo, porque é um líder internacional, um estadista. O mundo reconhece isso. Terceiro, porque ele adquiriu experiência na Presidência da República. Ninguém passa seis anos por esse cargo em vão.

Estado - O senhor se considera um ministro sem pasta?
José Dirceu - Não. Primeiro, eu não detenho poder nenhum. Eu tenho experiência, relações, solidariedade, companheiros, liderança ainda no PT, apoio no País. Todos sabem que se eu fosse candidato a um cargo eletivo, dificilmente eu não me elegeria. Agora, eu não tenho poder, nem sou membro do governo, nem sou mais dirigente do PT, nem mais membro do Parlamento. Eu não sou um ministro sem pasta. Sou o José Dirceu e na medida em que represento uma parte da história da esquerda brasileira, da luta contra a ditadura, da resistência armada, da luta na clandestinidade, uma parte da construção do PT, nesse sentido eu tenho uma representatividade para participar da vida política do país e ajudar o PT, o governo e a esquerda. Isso não significa que eu tenho poder.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Um pouco de Xangai [Eugênio Avelino]


"Xangai, um cantor, um artista, um menestrel, um dos maiores poucos gatos pingados e tresloucados sonhadores-de-mãos-sangrentas-contrapontas-afiadas inimigas. Remanescentes que teima guardar a moribunda alma desta terra. Que também vai se atropelando contra a multidão de astros constelados que fulgurantes espargem luz negra dos céus dos que buscam a luz. Lá vai ele recalcitrante e contumás cavaleiro, perdulário da bem querência que deixa a índole dissoluta de um pobre povo que habita o espaço rico de uma pátria que ainda não nasceu(...)" (Elomar Figueira de Melo)

Xangai canta "Canção Primeira" de Geraldo Vandré

Eles não amam a vida

A busca de uma saída para a crise econômico-financeira mundial está cercada de riscos. O primeiro é que os países ricos busquem soluções que resolvam seus problemas, esquecendo do caráter interdependente de todas as economias. A inclusão dos países emergentes pouco significou, pois suas propostas mal foram consideradas. Prevaleceu ainda a lógica neoliberal que garante a parte leonina aos ricos.

O segundo é perder de vista as demais crises, a ecológica, a climática, a energética e a alimentar. Concentrar-se apenas na questão econômica, sem considerar as outras, é jogar com a insustentabilidade a médio prazo. Cabe recordar o que diz a Carta da Terra: "nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados e juntos podemos forjar soluções includentes" (Preâmbulo).

O terceiro risco, mais grave, consiste em apenas melhorar as regulações existentes em vez de buscar alternativas, com a ilusão de que o velho paradigma neoliberal teria ainda a capacidade de tornar criativo o caos atual.

O problema não é a Terra. Ela pode continuar sem nós e continuará. A magna quaesto, a questão maior, é o ser humano voraz e irresponsável que ama mais a morte que a vida, mais o lucro que a cooperação, mais seu bem estar individual que o bem geral de toda a comunidade de vida. Se os responsáveis pelas decisões globais não considerarem a inter-retro-dependência de todas estas questões e não forjarem uma coalizão de forças capaz de equacioná-las aí sim estaremos literalmente perdidos.

Na verdade, se houvesse um mínimo de bom senso, a solução do cataclismo econômico e dos principais problemas infra-estruturais da humanidade seria encontrada. Basta proceder a um amplo e geral desarmamento já que não há confrontos entre potências militares. A construção de armas, propiciada pelo complexo industrial-militar, é a segunda maior fonte de lucro do capital. O orçamento militar mundial é da ordem de um trilhão e cem bilhões de dólares/ano. Já se gastaram somente no Iraque dois trilhões de dólares. Para este ano, o governo norte-americano encomendou armas no valor de um trilhão e meio de dólares.

Estudos de organismos de paz revelaram que com 24 bilhões de dólares/ano - apenas 2,6% do orçamento militar total - poder-se-ia reduzir pela metade a fome do mundo. Com 12 bilhões - 1,3% do referido orçamento - poder-se-ia garantir a saúde reprodutiva de todas as mulheres da Terra.

Com grande coragem, o atual Presidente da Assembléia da ONU, o padre nicaragüense Miguel d’Escoto, denunciava em seu discurso inaugural em meados de outubro: existem aproximadamente 31.000 ogivas nucleares em depósitos, 13.000 distribuidas em vários lugares no mundo e 4.600 em estado de alerta máximo, quer dizer, prontas para serem lançadas em poucos minutos.

A força destrutiva destas armas é aproximadamente de 5.000 megatons, força que é 200.000 vezes mais avassaladora que a bomba lançada sobre Hiroshima. Somadas com as armas químicas e biológicas, pode-se destruir por 25 formas diferentes toda a espécie humana. Postular o desarmamento não é ingenuidade, é ser racional e garantir a vida que ama a vida e que foge da morte. Aqui se ama a morte.

Só este fato mostra que a atual humanidade é feita, em grande parte, por gente irracional, violenta, obtusa, inimiga da vida e de si mesma. A natureza da guerra moderna mudou substancialmente. Outrora "morria quem ia para a guerra". Agora não, as principais vítimas são civis. De cada 100 mortos em guerra, 7 são soldados, 93 são civis, dos quais 34, crianças.

Na guerra do Iraque já morreram 650.00 civis e apenas cerca de 3.000 soldados aliados. Hoje assistimos algo absolutamente inédito e de extrema irracionalidade: a guerra contra a Terra. Sempre se faziam guerras entre exércitos, povos e nações. Agora, todos unidos, fazemos guerra contra Gaia: não deixamos um momento sem agredi-la, explorá-la até entregar todo seu sangue. E ainda invocamos a legitimação divina para o nosso crime, pois cumprimos o mandato: "multiplicai-vos, enchei e subjugai a Terra"(Gen 1,28).

Se assim é, para onde vamos? Não para o reino da vida.

Artigo publicado no site Carta maior por Leonardo Boff, teólogo e escritor.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Um bom artigo

"O ano termina sombrio para os EUA: a recessão se instalou sem cerimônia, o desemprego assusta as famílias e o socorro às instituições privadas consome bilhões de dólares em meio à grande perplexidade. Mas o novo ano começará com a posse de Barack Obama, eleito com a força da mudança: "change" foi a palavra das urnas".

"No Brasil, outra liderança inovadora, que vem surpreendendo o mundo pela racionalidade econômica e capacidade de interpretar e intervir na questão social, tem, agora, um novo e enorme desafio. Lula enfrenta uma realidade em que o mundo, que antes nos ajudou, agora só envia ventos frios e perspectivas sombrias".

"A crise financeira global, cuja dimensão ainda é difícil de perceber, foi absorvida de forma notável pelo Brasil. A variação do câmbio não gerou uma quebradeira, porque todos sabem que ele é flexível, e poucos deixaram de se precaver. O mundo não se assustou com o Brasil, porque as contas fiscais são transparentes e as reservas internacionais, volumosas. Mas a desorganização da arquitetura financeira global fez o crédito internacional sumir e isso tem um impacto inevitável sobre a economia real".

"Muitos criticam o presidente por ser otimista, como se com isso tentasse esconder a dura realidade dos efeitos da crise. Mas, se a um presidente cabe reconhecer as dificuldades, trabalhar os desafios e enfrentá-los com serenidade, o que seria de um país cujo presidente vendesse frustração e pânico?"

Publicamos acima fragmentos do artigo de autoria do deputado federal e ex-ministro da fazenda Antonio Palocci que está na edição de hoje (25) do jornal O Estado de São Paulo. O artigo está muito interessante. Clique aqui para lê-lo.

Entrevista com Marco Aurélio Garcia

Investimentos, ajuda humanitária e apoio diplomático compõem o atual momento das relações entre Brasil e Cuba. O país, que ensaia abertura cautelosa após 50 anos de comunismo, é privilegiado pela política externa brasileira. Nas palavras do assessor para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, há uma "afinidade subjetiva" entre Lula e os irmãos Fidel e Raúl Castro. "Mas não é uma relação ideológica", diz Garcia, evitando classificar o regime cubano.

"Temos um sistema político e valores diferentes." Em entrevista à Folha, o assessor diz que a crise financeira vai adiar iniciativas como a reforma da ONU, mas está otimista com a integração da região. "A crise com o Equador está superada."

Folha - Na reunião de Salvador, há uma semana, surgiu a idéia da união latino-americana. Já temos o Mercosul e a Unasul. Não é cedo para uma iniciativa do tipo?
Marco Aurélio Garcia - Nosso esforço inicial de integração foi sul-americano. A idéia era a aproximação em blocos. Mas houve um efeito positivo sobre a América Central e do Caribe. Temos problemáticas econômicas, étnicas e políticas semelhantes. Estamos buscando uma identidade regional. México e Cuba mudaram a percepção sobre as questões que estão em jogo na política externa, e agora apostam na América Latina. Havíamos convidado Cuba para o Grupo do Rio há três anos, mas não houve interesse.

Folha - Por que a mudança?
Garcia - O Sul está se fazendo respeitar, com a melhoria da situação econômica, o avanço democrático. Isso exerce uma certa influência. Estamos descobrindo nossa importância, temos um grande potencial energético, mineral, uma biodiversidade extraordinária, uma das maiores reservas agrícolas do mundo e um imenso mercado consumidor. Mas não queremos substituir os Estados Unidos, nem no conteúdo e muito menos na forma. Chegamos ao fim do apogeu das idéias neo-conservadoras e do unilateralismo. Isso se traduz em orientações de integração. Nos interessa a Argentina forte industrialmente, que a Bolívia se torne estável e a Venezuela não produza só petróleo, mas diversifique a produção. Cada país tem uma leitura particular. O [Hugo] Chávez vê isso de uma ótica bolivariana, o Evo [Morales] vê isso do ponto de vista de uma certa refundação com os povos originários. Nós temos outro tipo de visão e o Chile tem outra. Mas conseguimos estabelecer um terreno comum.

Folha - E os conflitos com o Equador e o Paraguai?
Garcia - Com o Equador, a moratória seria uma catástrofe para o futuro dos investimentos lá. É um episódio ruim, por isso reagimos. Mas na minha opinião, a crise foi superada e o embaixador pode voltar. Outras empresas já estão querendo substituir a Odebrecht. Com o Paraguai houve um avanço de método para elevar o diálogo, que às vezes fica contaminado. Temos que ter sensibilidade sobre a questão de Itaipu. Não vamos perdoar a dívida, mas não queremos um Paraguai pobre. Ninguém perde por ser generoso, mas aqui no Brasil isso é entendido como fraqueza. Mas os que criticam praticaram subserviência.

Folha - Qual impacto terá a crise financeira?
Garcia - Não sabemos ainda, mas vamos sofrer mais se estivermos isolados. Temos que evitar o protecionismo, aumentar a confiança e evitar conflitos desnecessários. E essas reuniões, que muitos criticam, são fundamentais para a confiança. Se fôssemos arrogantes com o Evo [Morales] em 2006, a coisa tinha piorado. Hoje a produção de gás cresce e nossa relação é muito boa. As pessoas podem não gostar do Evo, criticar o Lula por respeitar o [Alvaro] Uribe, que admira o Fidel. A política é complexa.

Folha - A relação com Cuba é ideológica?
Garcia - Não é ideológica. Não compartilhamos uma série de valores dos cubanos. Nosso sistema político e eleitoral é diferente. Mas não é esse o problema. Queremos ajudar Cuba, como a Jamaica. Com a particularidade de que, com Cuba, há um elemento de afinidade subjetiva. Várias gerações entraram na política tendo o modelo cubano como referência, a forma como defenderam a soberania e as mudanças sociais implementadas. Gostemos ou não, quando fizerem um inventário dos grandes personagens do século 20, Fidel Castro vai estar nele. Clique aqui e leia a atrevista completa.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Feliz natal e um próspero ano novo

Mais um ano chega ao fim.

É tempo de fazer um balanço de tudo o que aconteceu.

É tempo de transformarmos: os momentos bons em novas energias, entusiasmo e principalmente esperança de todo que os nossos sonhos vão se realizar!

os momentos maus em um lembretes para não cometermos novamente os mesmos erros no ano que vem.

os momentos difíceis serem peças fundamentais de que tudo na vida passa e que esses momentos no futuro nos ajude a terem momentos felizes.

É tempo de agradecermos a Deus por todos os momentos felizes que tivemos!

Feliz Natal!

Feliz 2009!

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

20º aniversário da morte de Chico Mendes

No dia em que se completaram 20 anos do assassinato de Chico Mendes, no Acre, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o líder seringueiro só passou a ser compreendido no País depois de ser premiado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1987. "Até então, ele era tratado aqui no Brasil como se fosse uma figura baderneira, um grevista, que atrapalhava que os empresários derrubassem a floresta. E o Chico Mendes defendia não apenas a floresta por defender a floresta. Ele defendia um jeito moderno de o povo que mora na floresta sobreviver", lembrou Lula, no programa de rádio semanal "Café com o presidente".

Ao homenagear o sindicalista, Lula contou que o conheceu em 1980 ano de fundação do PT. Chico Mendes foi dirigente do partido no Acre. "Tivemos uma relação política forte", lembrou. "Quando Chico Mendes foi assassinado é que o Brasil tomou consciência de que tinha uma liderança extremamente importante, anônima." O presidente afirmou que há "muitos Chico Mendes espalhados pelo Brasil afora" e que começam a ser valorizados. "Chico Mendes merece ser lembrado aqui, merece ser lembrado no mundo, porque fez a diferença na defesa da dignidade da vida e da preservação da floresta", concluiu Lula.

Fonte: AE

LULA É ELEITO 18ª PESSOA MAIS PODEROSA DO MUNDO PELA "NEWSWEEK"

Atrás do presidente eleito dos EUA, Barack Obama -número um da lista composta de 50 nomes- e dos presidentes da China, Hu Jintao, e França, Nicolas Sarkozy, Lula ficou à frente de nomes como a democrata Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, e do papa Bento 16. Ao citar o brasileiro, a revista americana diz que o "ex-sindicalista cabeludo" levou o país, "que já esteve à beira da ruína", a ser uma das mais saudáveis economias emergentes.

Judiciário paulista desestruturado

O desembargador Ivam Sartori do TJ-SP descreve em seu blog a real situação do Judiciário Paulista. Em seu diagnóstico não economiza palavras, para expressar sem titubeios seu descontentamento afirma: "Magistrado desestruturado é magistrado inútil". Leia abaixo o que escreveu o magistrado:

O Judiciário de São Paulo: enfermidade digna de CTI


Há notícias de que se estaria a projetar a criação de câmaras no TJSP, inclusive na região de Campinas.

A medida seria salutar, se o Judiciário Bandeirante estivesse devidamente aparelhado e estruturado, o que, infelizmente, não se verifica.

Segundo sabido, não obstante os esforços da atual administração, o Judiciário Paulista está em franco e acelerado processo de sucateamento, graças a inúmeros fatores, quer de ordem administrativa, quer orçamentária, quer política.

O resultado é que os 2.296 magistrados do Estado (número que supera o de juízes federais de todo o Brasil) acham-se sem estrutura para dar vazão aos processos que devolvem aos cartórios todos os dias, com despachos, decisões, sentenças, votos ou acórdãos, isso tanto em primeiro, quanto em segundo grau.

Há, portanto, um funil ou gargalo evidente e sério no setor cartorário, a ponto de um único e simples andamento processual, muitas vezes, tardar meses.

Para se ter uma idéia, a situação das unidades cartorárias de 1º e 2º Graus (com raríssimas exceções) é tal, que faltam pessoal, computador, espaço físico e condições mínimas e dignas de trabalho.

As dificuldades chegam a ponto de um servidor ter que esperar outro sair do computador para dar continuidade a seu trabalho, sem falar que não há pessoal para atendimento ao público.

Em primeiro grau, como público e notório, juízes, em muitas das varas, trabalham em meio a verdadeiros escombros, sem nenhuma estrutura, dignidade ou segurança.

Clique aqui para ler todo o artigo.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

O país não pode mais contar com o BC


Em entrevista à Carta Maior, a economista Maria da Conceição Tavares diz que o Brasil não pode mais contar com o BC. "A partir de agora, o Banco Central tornou-se uma peça menor no xadrez econômico". Para ela, a grande batalha de 2009 é fortalecer o emprego e o poder aquisitivo do povo. Ao falar sobre 2010, manifesta apoio a Dilma Roussef e diz que ela mais consistente do que José Serra. E lança um desafio ao PT: "o partido precisa submeter seus projetos e ideais à nova realidade mundial.

Clique aqui e leia a entrevista com Maria da Conceição Tavares.

Aprovação de transporte público cai 11 pontos em SP


Do Jornal Folha de São Paulo hoje (22)

"O congelamento da tarifa exaltado pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) não foi suficiente para melhorar a satisfação dos passageiros com os ônibus.

A aprovação dos usuários aos coletivos que rodam nos corredores exclusivos da Prefeitura de São Paulo diminuiu de 64%, em 2007, para 53%, em 2008.

E a satisfação com os ônibus que circulam nas demais vias da cidade oscilou de 42%para 40% -dentro da margem de erro, mas mantendo sua mais baixa popularidade desta década.

A piora na avaliação dos corredores, usados por 2 milhões de passageiros a cada dia, ocorre num ano marcado por pacotes de obras divulgados pela gestão Kassab com a justificativa de melhorar as pistas exclusivas -parte das quais não começou nem a sair do papel".

Comentário: O Orçamento da Cidade para 2009 prevê R$ 600.000.000,00 (seiscentos Milhões de Reais) para subsidiar o transporte público na cidade. Este subsídio é o maior já registrado em São Paulo no período pós CMTC ( Companhia Municipal de Transporte Coletivo). Infelizmente, mesmo subsidiado fortemente, a qualidade do transporte só tem piorado nestes quatro anos de governo Serra/Kassab. Não há dinheiro que salve a incompetência de gestão da coisa pública.

LENTIDÃO PIORA AVALIAÇÃO

Além do aumento da demanda no transporte coletivo -que agrava a superlotação-, técnicos ligados à pesquisa da ANTP avaliam que a situação do trânsito contribuiu para a piora na aprovação do sistema, por aumentar a demora das viagens dos passageiros. Na pesquisa, 64% dos usuários disseram que os congestionamentos afetam muito sua rotina.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Aprovação do Orçamento encerra ano legislativo

O Orçamento da cidade de São Paulo para o ano 2009 foi aprovado por 41 votos contra 11 e uma abstenção. Com isso, o ano legislativo de 2008 é encerrado na Câmara Municipal de São Paulo.

Os vereadores reeleitos e eleitos foram diplomados na manhã desta quinta-feira (18) em cerimônia na Assembléia Legislativa. A posse acontecerá no dia 1º de janeiro de 2009.

Feliz Natal e Boas Festas de Final de Ano a todos os amigos, amigas, leitores e leitoras do blog!

Governo aprova 'doação' de área ao Mackenzie

Com 31 votos favoráveis, 9 contrários e uma abstenção, a base do governo Serra/Kassab conseguiu aprovar na Câmara Municipal - na madrugada desta sexta-feira (19) - o PL 764/2005 - que autoriza a venda de área pública ocupada há décadas pela universidade Mackenzie. O projeto do Executivo dispensa o processo licitatório previsto em lei para esse tipo de venda.

De acordo o texto aprovado a área será vendida por R$ 28 milhões, embora especialistas do mercado imobiliário garantam que o seu valor de mercado chegue aos R$ 100 milhões. Ou seja, uma espécie de 'doação', já que sairá por um valor simbólico.

PS - Outro detalhe importante: a universidade Mackenzie tem entre seus dirigentes tradicionais o ex-governador Cláudio Lembo, que não por acaso é do partido do prefeito (DEM) e atualmente ocupa a Secretaria de Negócios Jurídicos da Prefeitura.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Projeto dos transgênicos aprovado em 2ª votação

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou em segundo turno na noite desta quinta-feira (18) projeto de lei de minha autoria que regula no município de São Paulo todo o processo relativo aos produtos geneticamente modificados - os chamados "transgênicos".

O PL 245/01 (leia aqui a íntegra) institui a Comissão Técnica Municipal de Biossegurança e dispõe sobre a inspeção e fiscalização da produção e comercialização de organismos geneticamente modificados.


Enquanto os estudos sobre os transgênicos avançam, a idéia é dotar a cidade de uma comissão que vai regulamentar e fiscalizar todas as atividades de pessoas físicas e jurídicas relacionadas a esses produtos.


A intenção da lei é proteger a sáude pública e garantir a criação de um selo atestando quais produtos colocados à disposição dos consumidores passaram por mudanças genéticas.

Vou lutar pela sanção do prefeito a este projeto, que considero da mais alta importância para a saúde da população e para o estabelecimento de parâmetros legais no tocante à manipulação desses organismos.

Mar de lama tucano se espalha pela Europa


Os jornais de hoje (18) trazem mais notícias sobre investigações conduzidas fora do país que apontam novos indícios de corrupção envolvendo tucanos que governam São Paulo desde 1995.

Matéria de O Estado de S. Paulo assinada pelo repórter Eduardo Reina mostra novo foco de problemas agora na Alemanha, sede da multinacional Siemens. Outra investigação, mais antiga e ainda em curso, apura denúncias de corrupção envolvendo a francesa Alstom e "autoridades do governo de São Paulo".

Leia abaixo um trecho da matéria do Estadão:

Ministério Público investiga contratos da Siemens no País

Apuração em São Paulo mira possíveis irregularidades no Metrô

"O Ministério Público Estadual investiga quatro grandes contratos entre a Siemens e o governo paulista. Agora, com a descoberta da Justiça alemã de dois brasileiros envolvidos em suposto esquema de propina, investigações serão solicitadas ao Tribunal de Munique. As apurações em São Paulo são sobre possíveis irregularidades em contratos de construção da Linha 5 (Liás) e da Linha 3 (Verde) do Metrô e de estação da Linha 4 (Amarela), além de fornecimento de trens para a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Os contratos somam cerca de R$ 1 bilhão".

Comentário: Os rastros da corrupção envolvendo o tucanato apontam sempre para cifras gigantescas, contratos e interesses que estão se espalhando pela Europa - com essa descoberta agora na Alemanha. Eles - que bradam pregando investigações o tempo inteiro em Brasília-, certamente farão de conta que não é com o PSDB esse mar de lama ora sob investigação internacional.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Prefeitura a serviço de projeto do Serra


O uso da Prefeitura de São Paulo como suporte às pretensões políticas do governador José Serra (PSDB) se multiplica e agora alcança o Diário Oficial, publicação oficial do município. A capa da edição do jornal desta quarta-feira é dedica alavancar a imagem de Serra sob o pretexto de assinatura de convênio entre as administrações municipal e estadual.

A matéria Prefeitura faz parceria com Estado para criação de parques tecnológicos é um exemplo de como a comunicação oficial pode ter seu fim desviado. Em vez destacar um dos locais onde será instalado o projeto na cidade, a foto de capa traz uma unidade do governo do Estado em São José dos Campos, na Vale do Paraíba e, no destaque, a foto do sempre sorridente Serra (veja reprodução acima).

A iniciativa de dotar a cidade de parques tecnológicos é bem-vinda, mas a intenção do governo, no momento, é promover a imagem do virtual candidato tucano à sucessão de Lula em 2010.

'Trem' do Kassab repercute na mídia

A aprovação do projeto Trem Natalino do prefeito Gilberto Kassab ontem aqui na Câmara Municipal repercutiu nos principais jornais da Capital em sua edições de hoje. Aprovado em primeiro turno, o PL 429/08 propõe a criação de 39 novos cargos na Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente e autoriza a ocupação de 158 cargos que estavam "congelados" desde o início do atual governo. As despesas do governo com pessoal - só neste caso - serão acrescidas em R$ 6,4 milhões anuais, segundo estudo da Liderança do PT na Casa.

Como afirmei em postagem logo após a aprovação deste verdadeiro "trem", o governo terá nada menos que 197 cargos para "diminuir a resistência de alguns vereadores na Câmara Municipal aos projetos do Executivo".

Os jornais O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde, Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo e Agora deram o assunto mostrando a contradição de Kassab - que recentemente anunciou corte de receita no Orçamento para 2009 e se esforça para aprovar em segundo turno um projeto que aumenta gastos.

A coluna Diário Paulista, do Diário de S. Paulo, deu uma boa nota sobre o assunto:

Papai Noel veio de trem

"A Câmara aprovou ontem, em primeiro turno, projeto do Executivo que cria 39 cargos na Secretaria Municipal do Verde. O pulo do gato é que a mesma proposta também autorizou a ocupação de outros 158 postos que foram congelados no começo da gestão Serra na Prefeitura, sob argumento de contenção de despesas. Ou seja, ao todo são 197 cargos comissionados. A manobra, batizada pela oposição de "trem natalino", deve diminuir a resistência de parlamentares da base aliada aos projetos do Executivo. A expectativa de vereadores governistas é de o projeto passe sem dificuldades em segunda votação até amanhã. O líder de governo, José Police Neto (PSDB), ressalta que os cargos serão para servidores em funções gratificadas, administrando os parques da capital".

O Estado de S. Paulo destacou uma observação que fiz em plenário contra a aprovação do PL 429/08: "O (José) Serra tinha congelado esses cargos em 2005, dizia que a administração do PT era 'faustosa', gastava demais. E agora vemos que o Kassab mudou de idéia e quer inflar a secretaria com cargos sé de confiança", disse João Antonio (PT). No JT, o assunto ganhou o título PT critica 'trem da alegria'.

Na Folha, o box Câmara cria 39 cargos para pasta do Verde lembrou que "o acréscimo ocorre num momento em que a prefeitura corta despesas de áreas como transporte sob o argumento da crise econômica mundial".

Sapatada no Bush

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Trem natalino


O Projeto de Lei 429/08 - aprovado hoje em primeiro turno na Câmara Municipal de São Paulo - é o que se poderia chamar de "trem natalino". De autoria do Executivo, o referido PL cria 39 novos cargos na Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SMVMA) e autoriza a ocupação de outros 158 que estavam "congelados" desde o início da administração Serra/Kassab.

Na prática, isso quer dizer que o prefeito poderá distribuir entre aliados nada menos que 197 cargos de livre provimento (sem concurso público) apenas naquela pasta. O custo anual para a Prefeitura será da ordem de R$ 6.469.212,54 apenas com pessoal.

A intenção do governo era criar diretamente 251 cargos que poderiam servir para diminuir a resistência de aliados no processo de votação de projetos do Executivo. Como a medida pegou mal e até foi rejeitada no último dia 10, a saída foi "descongelar" os 158 cargos que o ex-prefeito José Serra havia deixado de preencher assim que assumiu a Prefeitura, em 2005, alegando uma suposta "economia de recursos".

A alternativa deles, agora, foi lançar mão desse artifício, que pode soar como algo mais suave do que a criação de novos cargos - coisa que também deve ser feita com a aprovação do texto do PL 429/08.

Na votação da semana passada o governo conseguiu apenas 23 votos ao texto durante votação. Hoje - com o "frost free" ligado -, o PL passou em primeira com 38 votos, tendo 9 votos contrários.

Presentinho tucano amanhã!

Do portal Terra:

Pedágio começa a ser cobrado no Rodoanel nesta quarta

"Começa à 0h desta quarta-feira (17) a cobrança de pedágio nas 13 praças localizadas nas saídas do trecho oeste do Rodoanel Metropolitano Mário Covas, que interliga as principais rodovias paulistas. A cobrança foi fixada inicialmente em R$ 1,20 para veículos de passeio e o mesmo valor, por eixo, para caminhões e ônibus". Leia mais.

Comentário: o detalhe é que vem mais por aí!!!

José “Pepe” Mujica é escolhido candidato da Frente Ampla - Uruguai

Do site Carta Maior.

PORTO ALEGRE - O ex-líder guerrilheiro tupamaro e atual senador, José “Pepe” Mujica, foi escolhido ontem (14) para ser o candidato da Frente Ampla (coalizão que governa o Uruguai) à presidência da República, nas eleições gerais de outubro de 2009. Mujica, de 74 anos, passou doze anos preso durante a ditadura militar uruguaia (1973-1985). Líder do Movimento de Participação Popular (MPP), Mujica recebeu o apoio de 1.694 delegados, mais de dois terços dos que estavam habilitados a votar na eleição interna.

Na votação, da qual participaram 2.381 delegados, ele venceu seu principal oponente, o ex-ministro da Economia do governo Tabaré Vázquez, Danilo Astori. Também participaram da disputa o atual ministro da Indústria, Energia e Mineração, Daniel Martinez, o diretor do Escritório de Planejamento e Orçamento da Presidência, Enrique Rubio, e o prefeito de Canelones, Marcos Carámbula. Mujica, ainda deverá passar por outro teste em junho, quando será realizada uma convenção aberta para todos os militantes da coalizão, mas com a votação obtida ontem, ele já está sendo apontado pelos analistas como o candidato da Frente Ampla.

Mujica foi um dos líderes da guerrilha tupamara que pegou em armas contra a ditadura militar que governou o país de 1973 a 1985. Junto com os principais dirigentes tupamaros, ficou mais de doze anos preso em quartéis uruguaios. Desceu ao fundo do poço, literalmente. Ele fez parte de um grupo que ficou conhecido como “os reféns”. Os integrantes deste grupo foram submetidos a um regime de destruição física, moral e mental que incluiu dois anos de encarceramento no fundo de um poço. Foram, praticamente, enterrados vivos. Isolamento total.

Neste período, conforme relatou em entrevista à Carta Maior (12 de fevereiro de 2005), aprendeu a conversar com rãs, ouvir o grito das formigas e a “galopar para dentro de si mesmo”, como forma de não enlouquecer. Sobreviveu. Saiu da prisão, junto com sua companheira de vida e de luta, Lucía Topolansky. Leia mais.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

O povo sabe das coisas...

Da Folha Online:

Aprovação do governo Lula aumenta e bate novo recorde, aponta CNT/Sensus

"O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrou em dezembro deste ano a melhor avaliação positiva na história da pesquisa CNT/Sensus, que começou a ser divulgada em 1998. Segundo o levantamento, o governo do petista recebeu avaliação positiva de 71,1% dos entrevistados, contra 6,4% que avaliam negativamente o governo. Entre os entrevistados, 21,6% avaliaram o governo Lula como regular.

A avaliação pessoal do presidente Lula também obteve o a segunda melhor avaliação histórica da pesquisa, subindo de 77,7% em setembro para 80,3% em dezembro. Somente 15,2% dos entrevistados desaprovaram o presidente, enquanto 4,6% não responderam". Leia mais.

Notas

ELES QUEREM TUDO

Três paulistas disputam em público a liderança tucana na Câmara dos deputados: Emanuel Fernandes e Paulo Renato querem ser. Já o deputado José Aníbal quer continuar. Desconfortados, parlamentares tucanos de outros estados começam a se rebelar, reclamam do hegemonismo paulista. Eles não aceitam o papel de coadjuvantes. Pelo visto, o governador José Serra vai ter muito trabalho de bastidores para encontrar uma equação adequada para viabilizar seus interesses.

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ELA VAI?

Crescem os comentários na Câmara Municipal de São Paulo sobre a provável ida da vereadora Soninha para o governo de Kassab. Que ela quer fazer parte do governo do DEM já é publico. Resta saber onde ela seria aproveitada. Alguns falam que a vereadora vai para uma subprefeitura, outros falam em secretarias, já outros pretensos bem informados falam que ela será conduzida para uma assessoria especial do prefeito.

O que ninguém tem dúvidas é que o governador Serra trabalha para contemplá-la em algum lugar.

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O PSDB VAI FICAR

No dia primeiro de janeiro tomam posse os vereadores eleitos no último pleito. No mesmo dia será eleita a Mesa Diretora da Câmara Municipal de São Paulo. Ao contrário do que aconteceu no início da legislatura atual, quando o candidato à presidência do Serra, vereador Montoro foi derrotado, desta vez não haverá surpresas. Os partidos que compõem o chamado "Centrão" ficarão com a presidência e o PT com a Primeira Secretaria. Novidade: os tucanos deverão ficar com uma das vices.

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A BASE RESISTE

Com o argumento de reestruturação da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, o prefeito Kassab enviou um projeto do secretário Eduardo Jorge criando 251 cargos de livre provimento (sem concurso público) naquela secretaria. O projeto foi a votos no plenário da Câmara e ficou pendente de votação, ou seja, não alcançou o número regimental (28 votos) para sua aprovação ou rejeição.

Os motivos de tanta resistência por parte da base são dois: mera desconfiaça de alguns governistas de que estes cargos não serão utilizados para contemplar aliados do governo na Câmara, já outros vereadores aproveitam o fato para expressar seu decontentamento com o secretário da pasta.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Mais medidas positivas

Depois da série de medidas econômicas aplicadas pelo governo Lula para reduzir os efeitos da crise internacional aqui no Brasil, agora foi a vez do anúncio de um grande aporte de recursos para aumentar o acesso ao crédito imobiliário. Reportagem da Folha de S. Paulo deste domingo (14) diz o seguinte:

Novo plano prevê aumento de 50% no crédito imobiliário

"O governo estuda ampliar em aproximadamente 50% o número de residências financiadas pela CEF (Caixa Econômica Federal) e pelo setor bancário privado. A informação é dos colunistas Guilherme Barros e Vinicius Torres Freire (a reportagem está disponível apenas para assinantes do jornal e do UOL).

Neste ano, devem ser financiadas cerca de 600 mil moradias, tanto novas como usadas, no valor de aproximadamente R$ 30 bilhões. O projeto é ampliar esse número para 900 mil residências.

Até novembro, só a CEF já havia fechado 446 mil contratos de financiamento no valor de R$ 20,4 bilhões. A estimativa é atingir 500 mil contratos até o fim de 2008, somando um total de financiamento de R$ 22,8 bilhões".

sábado, 13 de dezembro de 2008

Uma bela canção

Arrumação - composição do trovador Elomar Figueira de Mello interpretada pela voz de Francisco de Aafa


Josefina sai cá fora e vem vê
Olha os forro ramiado vai chuvê
Vai trimina riduzi toda criação
Das bandas de lá do ri gavião
Chiquera pra cá já ronca o truvão
Futuca a tuia, pega o catadô
Vamo planta feijão no pó
Futuca a tuia, pega o catadô
Vamo planta feijão no pó
Mãe purdença inda num cuieu o ai
O ai roxo dessa lavora tardã
Diligença pega panicum balai
Vai cum tua irmã, vai num pulo só
Vai cuiê o ai, o ai da tua avó

Lua nova sussarana vai passá
Sêda branca, na passada ela levô
Ponta d´unha, lua fina risca o céu
A onça prisunha, a cara de réu
O pai do chiquêro a gata comeu
Foi um trovejo c´ua zagaia só
Foi tanto sangue que dá dó

Os cigano já subiro bêra ri
É só danos, todo ano nunca vi
Paciênca, já num guento as pirsiguição
Já só caco véi nesse meu sertão
Tudo que juntei foi só pra ladrão

Um pouco de Diana Pequeno

Diana Pequeno Salvador, 25 de Janeiro de 1.958 é uma cantora e compositora brasileira.

Estudou Engenharia Elétrica, trabalhou com teatro e música no interior da Bahia. Radicou-se em São Paulo em 1978, quando lançou-se como cantora. Seu primeiro disco, "Diana Pequeno", teve como carro-chefe uma versão para Blowin' In The Wind, de Bob Dylan e foi muito bem recebido pela crítica.

No seu último disco, "Cantigas", ela surpreendentemente se voltou para os primórdios da música brasileira. São músicas raras de Chiquinha Gonzaga, Villa-Lobos, Alberto Nepomuceno, Catulo da Paixão Cearense e algumas mais novas de Edu Lobo, Dorival Caymmi, que se integram perfeitamente às demais. Dizem que ficou mais de um ano pesquisando repertório.

Diana Pequeno canta Campo Branco (Elomar)

CAMPO BRANCO

Campo branco minhas penas que pena secou
todo bem que nóis tinha era a chuva era o amor
num tem nada não nóis dois vai penando assim
campo lindo ai que tempo ruim
tu sem chuva e a tristeza em mim

peço a Deus a meu Deus grande Deus de Abraão
pra arrancar as penas do meu coração
dessa terra seca in ança e aflição
todo bem é de Deus qui vem
quem tem bem lôva a Deus seu bem
quem não tem pede a Deus qui vem

pela sombra do vale do ri gavião
os rebanhos esperam a trovoada chover
num tem nada não
também no meu coração
vô ter relampo e trovão
minh'alma vai florescer

quando a amada e esperada trovoada chegá
iantes das quadra as marrã vão tê
sei que ainda vô vê marrã pari sem querer
amanhã no amanhecer
tardã mais sei qui vô vê
meu dia inda vai nascer

e esse tempo da vinda tá perto de vir
sete casca aruêra cantaram pra mim
tatarena vai rodar vai botar fulô
marela de u'a veis só
pra ela de u'a veis só
Categoria: Música

Símbolos e Lugares de São Paulo (16)


Neste sábado o blog dá início a outra fase das publicações da série Símbolos e Lugares de São Paulo. A pesquisa de Felipe Ramalho Rocha mostra um dos orgulhos paulistanos em matéria de meio ambiente: o Parque do Ibirapuera.

A HISTÓRIA DO PARQUE DO IBIRAPUERA

A história do Parque do Ibirapuera começa em 1920, quando o então prefeito da cidade José Pires do Rio idealizou a construção de um parque semelhante aos existentes na Europa e Estados Unidos, como o Bois de Boulogne em Paris, o Hyde Park em Londres e o Central Park em Nova Iorque.

No entanto, um obstáculo tornava a obra inviável: a região onde hoje se encontra atualmente o Parque do Ibirapuera (do tupi: “ibirá” que significa árvore e “puera”- o que já foi- sendo traduzido como “pau podre ou árvore apodrecida”), era uma região alagadiça, que havia sido parte de uma aldeia indígena na época da colonização e era até então uma área de chácaras e pastagens, destinada às boiadas que seguiam para o Matadouro Municipal, localizado no bairro da Vila Mariana, e para os animais que puxavam os carros do Corpo de Bombeiros da cidade, o local era chamado de Invernada dos Bombeiros.

O obstáculo frustrou a idéia até que, um modesto funcionário da prefeitura, Manuel Lopes de Oliveira, conhecido como Manequinho Lopes, apaixonado por plantas, iniciou em 1927 o plantio de centenas de eucaliptos australianos, cujo objetivo era a drenagem do solo e a eliminação do excesso de umidade. Plantou também um grande número de espécies ornamentais e exóticas, destinadas a arborizar as ruas e praças da cidade, cujas mudas também eram distribuídas à população.

Em 1951, o então governador Lucas Nogueira Garcez institui uma comissão mista, composta por representantes dos poderes públicos e da iniciativa privada, para que o Parque do Ibirapuera se tornasse o marco das comemorações do IV Centenário da cidade.
O projeto arquitetônico coube ao renomado arquiteto Osca Niemeyer e a Roberto Burle Marx, o projeto paisagístico (embora este nunca tenha sido executado), sendo construído o projeto do engenheiro agrônomo Otávio Augusto Teixeira Mendes.

A idéia central que norteava esta obra seria de unir a modernidade urbana através de uma arquitetura arrojada com um projeto paisagístico não menos avançado. No entanto, o aniversário da cidade, em 25 de janeiro de 1954, não pode contar com a inauguração do Parque, que só ficaria concluído sete meses depois.

A inauguração em agosto, contou com 640 estandes montados por treze estados e dezenove países, merecendo destaque a construção, pelo Japão, de uma réplica do Palácio Katura, atração do Parque conhecida como Pavilhão Japonês. Desde 1999, a Sabesp - empresa de saneamento paulista, instalou uma estação de flotação, garantindo a qualidade das águas dos lagos que compõem o parque.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

A política do abandono

Matérias dos jornais Agora e Folha de S. Paulo desta sexta-feira (12) mostram como a administração Serra/Kassab usou e abusou do marketing para ganhar as eleições deste ano. As reportagens Obra de creche é abandonada e saqueda (Agora) e Abandonada após eleição, obra de Kassab é saqueada (Folha) desmascaram a política de uso de recursos públicos com fins eleitoreiros.

Os jornais foram à região de Sapopemba, na zona leste da Capital, e encontraram uma creche que teve a construção iniciada em 2007, mas foi abandonada até perto do primeiro turno das eleições. Depois do abandono, segundo os jornais e lideranças da região, moradores invadiram o local, depredaram o prédio e até incendiaram a parte que já está pronta.

MARKETING - Tudo não passou de jogada de marketing, durante as eleições. Para as câmeras da propaganda de Kassab, a Prefeitura de São Paulo retomou as obras em 2008, abandonando tudo logo que as urnas confirmaram a reeleição do prefeito. As denúncias vinham sendo feitas pela Associação de Moradores Estrela do Bairro.

O abandono prejudica a região, que precisa do equipamento público. Aproveito para frisar que esta obra foi uma reivindicação daquela comunidade ao meu mandato - que conseguiu aprovar uma emenda ao Orçamento Municipal para garantir sua construção. Agora constatamos a irresponsabilidade desta administração em mais um caso de abandono pós-eleições.

Bom de propaganda esse Serra!

A propósito da matéria da Folha de hoje sobre o "trem enrolado" da Alstom, merece destaque a publicidade de página dupla feita nos jornais de hoje pelo governo comandado pelo tucano José Serra. Na Folha, por exemplo, "Informe Publicitário" do Metrô ocupa as páginas A8 e A9 do caderno Brasil. A reportagem sobre o contrato suspeito saiu na página A6.

Claro que o governador autorizou a publicação do mesmo material em outros jornais. E isso significa como será, daqui para a frente, o modo como Serra tratará assuntos "corrupção" e "investigações" sobre seu governo. Tudo mirando 2010!

A 'enrolação' e os trens 'enrolados' da Alstom

Da Folha de S. Paulo, hoje:

Serra inaugura 1º trem comprado da Alstom em contrato sob investigação

MARIO CESAR CARVALHO - CATIA SEABRA - JOSÉ ERNESTO CREDENDIO

"O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), inaugurou ontem o primeiro trem --de um lote de 16-- cujo contrato de compra está sob investigação por suspeita de superfaturamento e de burlar a Lei das Licitações. O trem é da Alstom.

O conselheiro do TCE (Tribunal de Contas do Estado) Antonio Roque Citadini diz em despacho de agosto deste ano que o Metrô não conseguiu provar até agora que pagou o menor preço pelos trens.

Segundo auditores do TCE, o Metrô pagou R$ 609,5 milhões pelos 16 trens, quando se inclui o pagamento de ICMS. Pelas contas do tribunal, cada trem custa R$ 38 milhões.

O Metrô diz que esse valor não é real porque obteve um desconto de R$ 100 milhões e pagou R$ 499,8 milhões pelo lote. Com o desconto, cada trem custou R$ 31,2 milhões.

Na cerimônia de entrega, na estação Itaquera (zona leste), o governador mencionou um outro preço: R$ 27 milhões".

Comentário 1 - Essa história dos trens da Alstom - cujo contrato está sob investigação por indícios de pagamento de propinas a tucanos - é uma espécie de versão financeira do "buraco do Metrô". Como no caso do "buraco", o tucanato tenta esconder informações, faz de conta que não é com o PSDB e sempre tem uma conta diferente daquela que o Tribunal de Contas, a imprensa ou qualquer outro especialista apresente.

Comentário 2 - Na entrevista à imprensa, Serra - como sempre faz - desconversou sobre propinas, trens superfaturados e outras mutretas que pesam sobre os contratos com a Alstom. A resposta dele: "Nada a ver".

Comentário 3 - Por último, chama a atenção também o fato de alguns jornalistas terem se dado por "satisfeitos" depois dessa brilhante resposta do governador. Ele trocou o surrado "kir PT" (resposta genérica dada por ele sempre que questionado acerca de problemas no seu governo) pelo agora criativo "nada a ver". Ou seja, bom de enrolação esse Serra! Que o diga a imprensa que o ouviu!

A dica de vídeo do blog

Por Celina Sales, com informações do portal Cineclick:

QUEBRANDO A BANCA (21, EUA, 2008)

Sinopse: Baseado em fatos reais, o filme conta a história de Ben Campbell (Jim Sturgess), estudante de um conceituado instituto de tecnologia que precisa de US$ 300 mil para pagar seus estudos. Para sair desta situação, Ben se junta a um clube que ensina aos garotos prodígios a se especializarem na contagem de cartas no jogo. O grupo parte para Las Vegas a fim de faturar em cima das habilidades adquiridas. (www.cincelick.com.br)

Elenco: Kevin Spacey, Jim Sturgess, Kate Bosworth, Laurence Fishburne, Liza Lapira, Aaron Yoo, Jacob Pitts.

Bom fim de semana!!!!!!

As emendas do PT

Do Boletim PT Câmara SP:

PT apresenta mais de R$ 1 bilhão em emendas ao orçamento

"Setenta e oito (78) emendas, movimentando mais de R$ 1 bilhão em recursos, estão sendo apresentados pela Bancada do PT à proposta orçamentária de São Paulo para 2009. As emendas contemplam medidas para o desenvolvimento social e urbano da cidade, transparência na gestão de recursos e aperfeiçoamento dos serviços públicos.

A Bancada do PT votou contra o projeto (PL 605/08), na primeira rodada de apreciação da matéria, por discordar dos cortes feitos pelo relator. Foram retirados R$ 2,2 bilhões do próximo orçamento e reduzida a previsão de gastos, principalmente em áreas sociais. A promessa eleitoral de não aumentar a tarifa de ônibus está ameaçada. Contraditoriamente, a gestão PSDB/DEM está criando (e recriando) novas secretarias, aumentando os cargos para acomodar aliados políticos no governo.
São Paulo conviveu nestes quatro anos com uma administração sem projeto. Obras necessárias sofreram atrasos ou simplesmente foram interrompidas – como a expansão dos corredores de ônibus. Sem rumo, o governo municipal aumentou a cobrança do ISS dos profissionais autônomos e agora quer isentá-los, após o PT apresentar a medida na campanha eleitoral. O mesmo se deu sobre o plano de construção de três novos hospitais e o projeto de levar o metrô à Cachoeirinha.

As emendas da Bancada do PT estão divididas em 10 eixos temáticos – Descentralização e Participação; Transporte, Trânsito e Mobilidade Urbana; Saúde; Habitação; Educação e Pesquisa; Ação Social e Economia Urbana; Segurança Urbana; Lixo e Meio Ambiente; Cultura, Esportes e Lazer; Integração Metropolitana.
Sobre a execução orçamentária, a Bancada propõe a redução da margem de remanejamento para 5% do total, tendo em vista o significativo crescimento da receita no último período, o que não justifica que o Executivo opere o orçamento com elevada margem de flexibilidade e sem autorização do Legislativo. A Bancada propõe instrumentos de transparência da gestão, como a criação, em cada subprefeitura, da Sala do Cidadão (terminal do computador com acesso a informações do orçamento).

Nas demais emendas, destacam-se as que somam R$ 300 milhões para reforçar a expansão do metrô, construção de novos corredores e terminais de ônibus, além de permitir que o Bilhete Único volte a ser recarregado nas catracas dos coletivos. Na saúde, o PT está destinando R$ 400 milhões para a construção de hospital com 200 leitos no bairro de Parelheiros e outra unidade no Jaçanã-Tremembé, bem como a implantação de uma rede de policlínicas e execução de outros projetos.

As emendas reforçam os programas habitacionais voltados à população de baixa renda e a transformação do centro em local de moradia, promovem a implantação de cursos de qualificação nos CEUs e programas de formação e aperfeiçoamento de professores, retomam programas sociais como Operação Trabalho e Começar de Novo, e promove a implantação do Observatório de Segurança, para mapear e monitorar áreas violentas e melhor organizar as ações de prevenção".

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Sucateamento do Metrô

A propaganda vistosa do governo do Estado de São Paulo anunciando o que seria uma "revolução sobre trilhos" contrasta com algo prosaico: o Metrô paulista sequer tem ambulâncias para levar passageiros a hospitais quando estes passam mal nas estações, segundo informa matéria do jornal O Estado de S. Paulo desta quinta-feira (11).

São pelo menos 1.200 casos por mês registrados pela companhia, que "utiliza um convênio informal com taxistas para levar as pessoas a hospitais", anotou o jornal.

Coisa bem tucana de alardear uma coisa e fazer outra! Na prática, isso significa que o governador Serra vai sucateando o Metrô, enquanto torra dinheiro em propaganda enganosa!

Um freio na indústria das multas

Registro aqui a boa notícia publicada ontem no portal G1 falando sobre a decisão judicial que obriga a Prefeitura de São Paulo a sinalizar pelo menos as principais vias da cidade onde vigora o rodízio de veículos. A ação foi movida pela Associação Nacional de Trânsito (Anatran).

Como todo mundo sabe, esta administração tem-se notabilizado por transformar o instrumento das multas numa verdadeira indústria. E o pior: não existe a menor preocupação em reverter os gordos recursos arrecadados dos infratores em melhorias para o trânsito.

Pelo menos é um freio nesta indústria!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Cargos, muitos cargos...

O governo tentou aprovar na tarde desta quarta-feira na Câmara Municipal de São Paulo um projeto de lei de autoria do prefeito Gilberto Kassab que propõe a criação de mais de duas centenas e meia de cargos (exatos 251!)na Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SMVMA).

O "Trem da Alegria" do DEM/PSDB serviria para acomodar aliados do governo municipal e preparar o terreno para as movimentações políticas do governador tucano José Serra lá pelo ano de 2010.

A Bancada do PT mostrou que por trás da idéia do governo de "reestruturação" da SMVMA estava, na verdade, uma farta distribuição de cargos. O resultado da votação foi o seguinte: 23 vereadores votaram sim, 8 votaram não e 13 se abstiveram. Com isso, o PL 429/08 ficou pendente de votação.

Criar essa montanha de novos cargos - isso sem esquecer da criação de seis novas secretarias propostas pelo governo Serra/Kassab - requer um debate aprofundado. O detalhe importante é que são cargos de livre provimento, ou seja, sem necessidade de concurso público.

Símbolos e Lugares de São Paulo (15)


Hoje o blog encerra a quarta parte da série Símbolos e Lugares de São Paulo, com destaque para a Estação da Luz e seu entorno, uma das regiões da cidade cuja arquitetura, beleza e atrações garantem um ótimo roteiro turístico para quem mora ou visita a Capital. Felipe Ramalho Rocha fala nesta postagem exatamente sobre os caminhos para o turismo na região da Luz.

No próximo sábado iniciamos a quinta parte da série falando sobre um símbolo paulistano muito conhecido no Brasil: o Parque do Ibirapuera.

TURISMO CULTURAL NA LUZ

A história da Pinacoteca do Estado de São Paulo se confunde com a do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, criado em 1873 por Leôncio de Carvalho como Sociedade Propagadora da Instrução Popular, associação educacional privada. Após uma reforma curricular e sucessivos apoios estatais, a Sociedade passa a se chamar Liceu de Artes e Ofícios em 1882, com o objetivo de ministrar gratuitamente conhecimentos necessários ao comércio, à agricultura, às indústrias, formando profissionais para trabalhar nas construções que se erguiam em ritmo acelerado na cidade de São Paulo.

Em 1905 o Secretário do Interior e da Justiça solicita à diretoria do Liceu de Artes e Ofícios sala para instalar a Galeria de Pintura do Estado. Seu acervo compunha-se inicialmente de 26 telas de 8 artistas consagrados no final do sec. XIX.

A Pinacoteca é regulamentada em 21 de novembro de 1911 e durante anos ainda dividiria o espaço com o Liceu, até 1944 quando a Fazenda do Estado compra o prédio do Liceu para abrigar a Pinacoteca, a Escola de Belas Artes e o Conselho de Orientação Artística.

De sua fundação até hoje, a Pinacoteca foi ganhando espaço e renome, tornando-se internacionalmente reconhecida, passando a abrigar exposições temporárias de diversos artistas como, por exemplo, a exposição “De Picasso a Barceló”.

O Museu da Língua Portuguesa, inicio do nosso roteiro turístico, fica na Estação da Luz, fica aberto de terça a domingo das 10h às 18h, a bilheteria até as 17h, o ingresso custa R$ 4,00 e estudante com carteirinha paga meia, aos sábados a entrada é gratuita.

A Estação Pinacoteca fica um pouco a frente na Rua General Osório, 66. Funciona também de terça a domingo das 10h às 18h, a entrada custa também R$ 4,00, estudante com carteirinha e idosos pagam meia, crianças até os 11 anos não pagam e a visita aos sábados e gratuita.

A Sala São Paulo é palco de apresentações matinais aos domingos e alguns sábados, alem de sua agenda que pode ser verificada no site http://www.salasaopaulo.art.br/. Alem da Orquestra Sinfônica do estado de São Paulo, apresentam-se lá diversas orquestras, no site existe a agenda do ano todo e também o serviço de compra de ingressos antecipados.

A Pinacoteca do Estado, fina na Praça da Luz, abre de terça a domingo, bilheteria das 10h ás 17h30, com permanência até as 18h - Ingresso combinado (Pinacoteca + Estação Pinacoteca):R$4,00 e R$2,00 (criança, estudante e idoso). Grátis aos sábados.
Praça da Luz fica ao lado da Estação da Luz, funciona de terça a domingo das 10h ás 18h, entrada franca, possui área para apresentações na praça do Ponto Chic, coreto, bicicletário para 10 vagas, 21 bebedouros, sanitário, 19 lixeiras, 3 mesas, 166 bancos. E esse é um ótimo final pra um dia maravilhoso de turismo cultural.
Bom passeio a todos.

Telefones:
Museu da Língua Portuguesa: (11) 3326-0775
Estação Pinacoteca: (11)3337-0185
Sala São Paulo: (11) 3223-3966
Pinacoteca do Estado: (11) 3337-0185

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Meu projeto sobre transgênicos em votação

Será votado na sessão desta quarta-feira (10) um projeto de lei de minha autoria que regula no município de São Paulo todo o processo relativo aos produtos geneticamente modificados - os chamados "transgênicos".

Trata-se de um projeto de lei que elaborei em 2001 e que já passou pela primeira votação na Câmara Municipal. Amanhã ele passará pela segunda votação em plenário.

O PL 245/01 (leia aqui a íntegra) institui a Comissão Técnica Municipal de Biossegurança e dispõe sobre a inspeção e fiscalização da produção e comercialização de organismos geneticamente modificados.

Enquanto os estudos sobre os transgênicos avançam, a idéia é dotar a cidade de uma comissão que vai regulamentar e fiscalizar todas as atividades de pessoas físicas e jurídicas relacionadas a esses produtos.

A intenção da lei é proteger a sáude pública e garantir a criação de um selo atestando quais produtos colocados à disposição dos consumidores passaram por mudanças genéticas.

MUDANÇA - Em face de alteração do acordo de lideranças que previa a votação para esta quarta-feira, o projeto acima será votado em segundo turno apenas na semana que vem. Os líderes acabaram acordando a votação hoje apenas de projetos em primeira votação.

Nota atualizada às 18h 40 desta quarta-feira (10).

'Contrabando'

Os grandes clubes de futebol também serão beneficiados da isenção do pagamento do IPTU. É que o prefeito Gilberto Kassab colocou os clubes no pacote tributário que enviou à Câmara Municipal de São Paulo.

Com isso, parte desses clubes - que já ocupa terrenos públicos sem pagar nada - passa a ter mais essa benesse do município.

Notas sobre a Câmara Municipal

ELEIÇÃO DA MESA DIRETORA

O PT atua para construir uma Mesa que preserva uma maior autonomia do legislativo da cidade. Por isso fechou acordo com os partidos do bloco intitulado de "Centrão". Tudo indica que este bloco vai indicar para presidente o nome do vereador Antonio Carlos Rodrigues - atual presidente. O PT ficará com a 1ª secretaria. Já o PSDB ainda não decidiu, porém, desta vez vai tentar sair do isolamento. O mais provável é que os tucanos ocupem uma das vices.

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O NOME DO PT

A bancada do Partido dos Trabalhadores se reunirá na próxima terça-feira - dia 16 - para discutir o seu representante na futuro Mesa Diretora.

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ORÇAMENTO

A base governista está fazendo o serviço que o prefeito não quer fazer. O corte que os vereadores governistas estão fazendo é o prenúncio de que as promessas de campanha do Kassab não serão cumpridas. Em outras palavras, o DEM tinha um programa para ganhar as eleições e terá outro para governar. Todas as áreas sociais serão atingidas pelos cortes, até o valor reservado para pagar precatórios será reduzido. Quero ver o que o prefeito vai fazer para cumprir as decisões judiciais!

O PT vai propor um substitutivo mantendo os valores do projeto original e reduzindo o índice de remanejamento para 5%.

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SOBRE O ISS

O prefeito enviou para a Câmara um projeto que isenta de ISS várias profissões, pessoa física: encanadores, pedreiros, eletricistas jardineiros e congêneres - limpadores de piscinas, esgoto, fossas e congêneres - arquitetos, advogados, engenheiros, médicos entre outros.

No caso dos cartórios, hoje eles pagam o valor mínimo (5%) como pessoa física tendo como referência um valor fixo de R$ 980,15. Pelo prjeto original enviado pelo prefeito, estes passarão a contribuir como Pessoa Física e também Pessoa Júridica na alíquota máxima, ou seja, 5% para ambos.

Chico Mendes será anistiado político

O Globo hoje
De Evandro Éboli:

A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça aprovará amanhã, em Rio Branco, no Acre, a condição de anistiado político post-mortem do líder seringueiro Chico Mendes, cujo assassinato completará 20 anos no próximo dia 22. O pedido de anistia foi protocolado pela viúva Ilzamar Mendes, em 2005. A família terá direito a receber indenização pelo fato de ele ter sido perseguido pela ditadura.

Chico Mendes, que começou a atuar na luta sindical nos anos 70, foi um dos fundadores do PT no estado. Em 1980, foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional (LSN), acusado de envolvimento no assassinato de um capataz de uma fazenda. Sua atuação no Sindicato dos Seringueiros de Xapuri (AC), a partir de 1981, deu visibilidade internacional a seu trabalho.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Gestão Serra/Kassab contra o Renda Mínima

Do Boletim PT Câmara SP:

Governo incompetente: prefeitura devolve dinheiro do Renda Mínima

"PSDB e DEM, partidos que administram a Prefeitura de São Paulo, acabam de demonstrar mais uma vez a incapacidade de ambos para administrar a cidade. O município está devolvendo, ao governo federal, recursos enviados para o programa Renda Mínima por que não conseguiu cadastrar todas as famílias que poderiam contar com o benefício.

Segundo o jornal Diário de S. Paulo de sexta-feira (5), a prefeitura vai devolver R$ 1.275.815,00 ao governo federal. O dinheiro foi enviado em 2006 para que o município cadastrasse as famílias carentes da cidade que ainda não estavam no banco de dados do programa. Passado o prazo, apenas 30% do trabalho foi feito com 75% do orçamento.

Nestes dois anos, foram cadastradas 70 mil famílias carentes, mas a própria Secretaria de Assistência Social estima que falta cadastrar 250 mil famílias. Ou seja, o governo PSDB/DEM não conseguiu localizar na cidade quem precise do benefício.

Implantado na gestão Marta Suplicy, o Renda Mínima é um recurso pago pela prefeitura às famílias de baixa renda com crianças de até 15 anos de idade. Na gestão do PT, o projeto beneficiou mais de 100 mil pessoas.

Em 2006, São Paulo recebeu R$ 3,5 milhões de Brasília para o programa. Foram usados R$ 2,6 milhões. O restante será devolvido, com juros".

domingo, 7 de dezembro de 2008

Sobre a música saga do Amazonas - Vital Farias


Da lavra do compositor paraibano Vital Farias, a música Saga da Amazônia é talvez a melhor síntese da guerra nada silenciosa e desigual travada na floresta entre a cobiça e o sentido de preservação das espécies. É certo que o tema inspirou centenas de compositores, mas da discografia ao alcance essa emerge como símbolo de cantoria a desafiar com versos cortantes a ganância e o desprezo ao homem amazônida. Na música de Vital, a Amazônia é palco de conflitos já contados, mas não se tem conhecimento, numa única composição, de texto tão denso e revelador da variedade de tensões e mazelas que a cercam. Na canção, desfilam mitos amazônicos, devastação à flora e à fauna, genocídios indígenas, assassinatos na luta pela posse da terra, investimentos predadores de grandes projetos extrativistas e a internacionalização de imensas áreas pelo poder do capital internacional. Desfila, porém, sobretudo, um apelo à vida.

“No lugar que havia mata, hoje há perseguição/Grileiro mata posseiro, só pra lhe roubar seu chão/Castanheiro, seringueiro já viraram até peão/Afora os que já morreram como ave de arribação/Zé de Nana tá de prova/Naquele lugar tem cova, gente enterrada no chão...”, canta Vital, num arrebatador testemunho à história.

Função social da arte, a música-denúncia de Vital não tem ranços nem faz coro a cantilenas de ongs secretamente subvencionadas por laboratórios farmacêuticos e cosméticos. Está focada no drama humano, a cada árvore que tomba, a cada bicho que morre. “Se a floresta, meu amigo, tivesse pé pra andar, eu garanto, meu amigo, o perigo não tinha ficado lá”, aposta o cantador.

É sábia por não advogar à Amazônia a condição de santuário, por cuja redoma os caboclos enxergarão contemplativamente a terra e os rios intocáveis. O artista quer a floresta e as águas a serviço da prosperidade medida, porque tudo ali é finito. O que não quer, deixa claro, é a Amazônia como almoxarifado. E reage, sem precisar dizê-lo senão pela negação à dor, a cínicos pretextos que soam tão verdadeiros quanto os cantos de sereia. Se a Amazônia é hiléia, última fronteira, pulmão do mundo ou outra falácia qualquer é porque o resto do planeta esqueceu de cuidar do próprio quintal, destruindo-o sem legar bem à humanidade.

É música para se emocionar, refletir e agir.
Texto: Euclides Farias

Símbolos e Lugares de São Paulo (14)

CULTURA E HISTÓRIA À LUZ DA MODERNIDADE

Por Felipe Ramalho Rocha

Continuando o roteiro pelo entorno da Estação da Luz, falarei um pouco mais sobre a Sala São Paulo e o Museu da Língua Portuguesa onde o patrimônio histórico se amalgama perfeitamente com a high technology.


SALA SÃO PAULO - A Sala São Paulo está localizada no Centro Cultural Júlio Prestes, que se localiza na estação de mesmo nome. O prédio foi inaugurado no dia 9 de julho de 1999 e foi completamente restaurado e remodelado pelo Governo do Estado, como parte do projeto de revitalização do centro da cidade.

A Sala São Paulo tem capacidade de 1.498 lugares e é a sede da Orquestra Sinfônica de São Paulo. Foi concebida de acordo com os mais atualizados padrões internacionais, sendo considerada por muitos especialistas como uma das salas de concerto com melhor acústica no mundo, comparável ao Symphony Hall de Boston, o Musikverein, em Viena, e o Concertgebouw, em Amsterdã.

O local escolhido para a sala de concerto foi o grande hall da antiga estação, por suas dimensões, similares as salas de concerto do sec. XIX, que especialistas consideram o melhor para salas de concerto. A Sala São Paulo possui 22 balcões no mezanino e no primeiro andar. Eles foram colocados entre as grandes colunas e o teto ajustável, criado pela empresa estadunidense Artec (a maior especialista do mundo em salas de concerto).

O teto ajustável da Sala São Paulo pode ficar a uma altura máxima de 25 metros acima do piso principal. O teto possui 15 painéis, cada um pesando 7,5 toneladas e são detidos por 20 cabos enrolados. Os painéis podem ser controladas individualmente garantindo a intensidade de qualquer composição tem o seu conceito acústico respeitados.

MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA - O Museu da Língua Portuguesa abriu sua portas no dia 21 de março de 2006, apresentando uma forma expositiva diferenciada das demais instituições museológicas, usando tecnologia de ponta e recursos interativos para a apresentação de seus conteúdos. Adota tal museografia a partir de um dado muito simples: seu acervo, nosso idioma, é um “patrimônio imaterial”, logo não pode ser guardado em uma redoma de vidro e, assim, exposto ao público.

Nos três andares de exposição o visitante encontrara diversas meneiras de apreciar este patrimônio cultural tão importante. Uma tela de 106 metros com projeções simultâneas de filmes que mostram a Língua Portuguesa no cotidiano de seus usuários, totens dedicados às influências das Línguas e dos povos que contribuíram para formar o Português falado no Brasil

Linha do Tempo com recursos interativos onde o visitante pode conhecer melhor a história da Língua Portuguesa, sala com jogo eletrônico interativo onde o visitante pode brincar com a criação de palavras e também painéis que mostram um pouco da história do prédio sede da Estação da Luz e os trabalhos de restauração realizados na época da implantação do Museu da Língua Portuguesa.

sábado, 6 de dezembro de 2008

E a grande imprensa, sifu?


Por Gilson Caroni Filho - Carta maior

A pesquisa Datafolha, publicada hoje, cinco de dezembro, foi um balde de água fria em uma festinha que prometia agitar os melhores salões do Rio e São Paulo. Mostrando que a avaliação positiva do presidente voltou a bater novo recorde, com 70%da população considerando seu governo ótimo ou bom, melhor índice obtido por um governante desde a redemocratização, arrefeceu a ofensiva que viria da fala presidencial para produtores culturais e artistas, em cerimônia destinada a tratar do Fundo Setorial do Audiovisual.

Usando uma analogia para explicar sua postura diante da crise econômica, Lula, de improviso, disse: "Se um de vocês fossem médicos e atendesse a um paciente doente, o que vocês falariam para ele? Olha, companheiro, o senhor tem um problema, mas a medicina já avançou demais, a ciência avançou, nós vamos dar tal remédio e você vai se recuperar. Ou vocês diriam: meu, sifu . Vocês falariam isso para um paciente de vocês? Vocês não falariam".

O Jornal Nacional deu destaque com os expedientes de sempre. Na chamada, William Bonner, o apresentador que representa o que lê, franziu a sobrancelha e anunciou com entonação grave que o presidente teria empregado uma expressão “extravagante”.

O jornal O Globo, na dobra superior da primeira página, não deixa por menos e dá como manchete: "Planalto censura fala chula de Lula". Em matéria assinada por Maiá Menezes, lemos que "a palavra de baixo calão usada pelo presidente acabou sendo suprimida no site da presidência.” É interessante ver um veículo que publica artigos de Arnaldo Jabor se chocar com a corruptela empregada pelo presidente.

Haverá quem diga, até com certa propriedade, que o termo usado de improviso não é compatível com o cargo que ele ocupa. Não deve constar em discursos públicos de uma autoridade publica, principalmente de um presidente. Mas o arrazoado tem um viés por demais conhecido. Se olharmos atentamente para o padrão classista da grande imprensa, a fenomenologia da chegada de Lula à presidência já é apresentada como uma incompatibilidade imperdoável. O terno que substituiu o torno é a conciliação de uma antinomia por demais sedimentada para ser aceita pelas velhas elites.

Como é que aquele metalúrgico chegou ali? Como, tendo chegado, não só cumpriu o mandato como se reelegeu para outro? Por que é tão bem avaliado internacionalmente? Como ousa comparar os defensores do livre-mercado a um adolescente com desarranjo intestinal ao dizer que "filho quando tem crise, quando tem uma dor de barriga, volta para casa. Nesse caso, aliás, foi uma diarréia braba. E quem eles chamaram? O Estado que eles negaram por anos”.

Mas há na pesquisa, realizada entre os dias 25 e 28 de novembro, mais dados que incomodam o jornalismo dos oligarcas. Segundo a Folha de São Paulo, “agora Lula teve reforçado o apoio sobretudo entre os mais jovens (mais nove pontos), os mais escolarizados (mais nove) e no Sudeste (também mais nove pontos).” Ou seja, os supostos leitores, aqueles a quem são dedicados editoriais e colunas se deixaram hipnotizar pela esfinge. Para quem escreveram então?

Vamos esperar para ver as teses estapafúrdias, usadas pelos “cientistas políticos,” em plantão permanente, para explicar os índices de aprovação do presidente Lula. Reconhecer que em algumas áreas este governo acertou e que o Brasil está melhor, está descartado de antemão. É preciso esconjurar o demônio barbudo.

O momento parece indicar que o melhor é manter as táticas do passado. As mesmas que levaram um presidente ao suicídio e, depois, o país a décadas de ditadura militar. A estratégia udenista da oposição cheira a guardado, a fundo de armário, a século XX. Não perceberam, embora se auto-intitulem bem-informados, que os anos 90 foram o canto do cisne da sociedade de privilégios. E, ao se descolarem de uma realidade que lhes é incômoda, o diagnóstico está na corruptela presidencial: Sifu. É o que parece dizer a pesquisa Datafolha.

Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Observatório da Imprensa.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Aprovação do governo Lula bate novo recorde


Pesquisa Datafolha mostra que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva é considerado ótimo ou bom por 70% dos brasileiros, maior aprovação de um presidente desde 1990, no período da redemocratização. O recorde anterior era do próprio Lula, avaliado positivamente por 64% em setembro. A margem de erro do levantamento, feito entre os dias 25 e 28 de novembro, é de dois pontos percentuais.

Le nozze di Figaro

Le nozze di Figaro (em português As bodas de Fígaro) é uma opera buffa em quatro atos composta por Wolfgang Amadeus Mozart sobre libreto de Lorenzo da Ponte, com base na peça homônima de Pierre-Augustin Caron de Beaumarchais (Le Marriage de Figaro). Composta entre 1785 e 1786, foi estreada em Viena, em 1º de maio de 1786. Diz-se que Mozart começou a ter problemas com sua reputação a partir desta ópera, que satirizava certos costumes da nobreza. Há quem considere esta a obra-prima de Mozart.

Sinopse

A ação desenrola-se no Castelo do Conde de Almaviva, algures perto de Sevilha, no ano de 1785. Fígaro e Susanna, servos do Conde e da Condessa Almaviva, estão noivos e casam em breve. O Conde mantém um longo assédio sexual a Susanna o que a faz duvidar que este venha a cumprir a sua promessa de abolir o tão odiado Direito do Senhor, que estabelecia a prerrogativa de se deitar com a serva antes de a entregar ao futuro marido.

Mozart - Neville Marriner - As Bodas de Fígaro

Dica de vídeo para seu final de semana

Por Celina Sales

ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE VOCÊ ESTÁ MORTO (Before the Devil Knows You're Dead, EUA/ Inglaterra, 2007)

Sinopse:

Este tenso e violento drama dirigido por Sidney Lumet é desenvolvido no ambiente familiar, mais precisamente sobre dois irmãos desajustados que precisam lidar com as terríveis conseqüências de seus atos. Andy (Philip Seymour Hoffman) é um viciado em drogas cuja carreira de executivo está desmoronando. Para se livrar da falência, convence o irmão Hank (Ethan Hawke), também desajustado, a assaltar uma joalheria. A partir daí, os problemas dos irmãos aumentam sem parar. (www.cincelick.com.br)

Elenco: Philip Seymour Hoffman, Ethan Hawke, Albert Finney, Marisa Tomei Arija Bareikis, Paul Butler, Leonardo Cimino, Alex Emanuel, Jack Fitz Rosemary Harris, Blaine Horton, Sarah Livingston, Brian F. O'Byrne, Aleksa Palladino, Amy Ryan, Michael Shannon, Lee Wilkoff, Megan Byrne

Bom fim de semana!!!!!!