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sexta-feira, 6 de julho de 2007

Muita publicidade para pouco resultado

O prefeito Gilberto Kassab gastou neste ano até o mês de junho R$ 14 milhões em propaganda.

Tenho a impressão de que a tendência do executivo municipal é só aumentar o gasto com publicidade. Pelos seguintes motivos: o governo é ruim, o prefeito é desconhecido e as eleições estão se aproximando.

Haja marketing para justificar tanta inoperância!

Aí tem!

Do Jornal da Tarde

Bragato: doação 511% maior que bens

”Tucano investiu R$ 40 mil na própria campanha em 2006, mas declarou ter R$ 6,5 mil em posses. Ele fala em 'empréstimo de amigo.”

”Suspeito de receber propina da máfia da CDHU, o líder do PSDB na Assembléia, Mauro Bragato, doou à própria campanha em 2006 quantia 511% maior do que todo patrimônio declarado por ele à Justiça Eleitoral. O tucano fez uma doação de R$ 40 mil, mas declarou que suas posses somavam apenas R$ 6.540.” Leia mais.

Comentário: Valorizo imensamente os principios do contraditório e da presunção da inocência. Aliás, costumo dizer que estes princípios são dois pilares fundamentais no estado democrático de direito. É claro que o líder tucano tem todo direito de se defender e que só pode ser considerado culpado depois do trânsito em julgado de uma provável ação judicial. Porém, a cada dia que passa ele está mais enrolado e com muitas dificuldades para justificar seus atos, pelo menos no que se refere a sua última campanha eleitoral e na sua passagem como presidente da CDHU.

Vamos aguardar!

quinta-feira, 5 de julho de 2007

O meu passe e o gol do Donato

Fugirei da linha do blog para postar um vídeo do You Tube que é um registro histórico de uma paixão que tenho há anos - o futebol. O meu colega e vereador petista Antônio Donato me enviou as imagens do momento em que dei o passe para ele marcar o gol da vitória (3 a 2) da equipe dos vereadores sobre os deputados estaduais, em jogo realizado no Parque Antártica no dia 2 de abril deste ano. As imagens são da TV Câmara São Paulo.

Clique na imagem abaixo, veja o vídeo postado no You Tube e deixe comentários.

JT fala sobre "o apagão nosso de cada dia"

O Jornal da Tarde saiu na frente ao ser o primeiro veículo de comunicação a tocar num assunto que parecia "proibido" na imprensa de São Paulo: o "apagão" no trânsito da Capital. Óbvio que a motivação para a matéria Apagão no trânsito foi um megacongestionamento registrado na cidade ontem (4), mas valeu pelo título.

Enquanto os problemas de atrasos e cancelamentos de vôos nos aeroportos dominam a pauta da imprensa nos últimos tempos - alimentando a combalidade "CPI do Apagão Aéreo" na Câmara dos Deputados -, o fato é que o caos vivido diariamente pelos paulistanos nunca havia sido tão bem ilustrado como o foi pelo JT.

São usuários dos transportes coletivos transportados como mercadoria, seja em ônibus, trens ou metrô. E os motoristas presos em congestionamentos que surgem por qualquer motivo na cidade. E toma a imprensa, de um modo geral, a falar somente dos aeroportos, a ponto de alguém sonhar que os brasileiros vivem dentro de um avião.

Embora os problemas no setor aéreo sejam danosos à vida das pessoas e à economia do país - e necessitem de soluções urgentes do governo e das empresas do setor -, não se pode esquecer que o avião é um meio de transporte de uma minoria (em crescimento, ano a ano, é verdade!) se comparada aos usuários dos transportes terrestres nas grandes cidades como São Paulo.

No caso de São Paulo, quase todo mundo parado no trânsito e a imprensa falando somente do "caos aéreo". Parabéns ao JT que colocou seus repórteres nas ruas (todos, pelo jeito, ficaram presos em algum congestionamento ontem!) e trouxe o assunto à pauta. É um serviço prestado pelo jornal à informação plural.

O homem que fala bem o 'tucanês'

Aloysio Nunes Ferreira, chefe da Casa Civil do governo José Serra, mostra como domina todos os verbetes e conceitos da linguagem dos tucanos - o "tucanês". Essa peculiar forma de expressão política é sempre assim: se uma denúncia envolver um tucano não é "crime" é, no máximo, "deslize". Se envolver um adversário - preferencialmente alguém do PT - "que preparem a guilhotina".

Sobre o caso do deputado Mauro Bragato, que os tucanos tentam abafar de todo jeito, inclusive tentando forçar o recesso na Assembléia Legislativa para "esfriar" o assunto, veja o que disse o secretário da Casa Civil dos tucanos na Folha de S. Paulo desta quinta-feira:

"É exemplar que tem que valer o princípio constitucional da presunção da inocência". Faltou, decerto, um complemento, como manda o Manual de Redação e de Expressão em Tucanês. O que faltou ele dizer é: "Não se esqueçam que o deputado é um tucano, e somente tucanos devem ter esse 'privilégio', digo, esse 'benefício', isto é, essa 'proteção', sei lá como se diz isso", enrolaria ele ou qualquer tucano.

Raízes da violência contra grupos populares

Excelente o artigo Quadrilhas de Canalhas, do psicanalista Contardo Calligaris na Folha de S. Paulo de hoje (só para assinantes da Folha/UOL).

É uma reflexão sobre as raízes dessa violência contra determinados grupos populares e que tem como palco a cidade do Rio de Janeiro nos últimos dias. Um novo surto do que a imprensa chama de "pitboys", os jovens de classe média que saem em bandos cometendo atos violentos.

Calligaris reflete exatamente sobre a influência que o "grupo" exerce sobre os "potencialmente canalhas" - cuja formação está sendo fermentada na sociedade e em casa, pelos próprios pais e estes percebem ou fazem de conta não saber de onde isso nasce. Outros incentivam abertamente.

Vale a pena ler e pensar sobre essa fenômeno de desagregação social que não ocorre somente no Rio de Janeiro, é bom lembrar!

O delator está de volta

O jornal O Estado de S. Paulo traz hoje uma entrevista com um controverso personagem do período da repressão (ditadura militar). Trata-se do delator José Anselmo dos Santos, o Cabo Anselmo.

Em 1964 presidiu a Associação de Cabos e Soldados da Marinha. Depois de "perseguido pelos militares", ajudado pela esquerda brasileira, saiu do Brasil e foi fazer treinamento de guerrilha em Cuba. Assim como outros militares da época, conquistou respeitabilidade no meio da esquerda, o que o levou a ser um conhecedor dos modos de operação dos grupos guerrilheiros que combatiam com armas a ditadura militar no Brasil.

Depois de ser “preso”, passou para o lado dos militares, sendo peça importante no esquema do temido delegado Sérgio Paranhos Fleury, contribuindo assim para o desmantelamento dos grupos de esquerda que atuavam no país. O Cabo Anselmo, como era conhecido, foi responsável pela morte de muitos de nossos jovens estudantes e operários que na época combatiam, com armas e com idealismo, a cruel ditadura militar. O caso mais conhecido foi o Massacre da Chácara São Bento, em Recife: devido suas delações, seis militantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) foram brutalmente assassinados.

Hoje ele vive na clandestinidade, com identidade falsa pagando por sua crueldade, porém sem nenhum arrependimento por tudo o que fez. Veja o que ele diz sobre sua condição de delator: “Diante disso, o preso Anselmo, aterrorizado, percebeu a fragilidade de uma luta que levava a tantas mortes inconseqüentes. Tenho consciência de que dei uma contribuição para limitar a violência e mortes de tantos que hoje podem usufruir deste novo Brasil.”

Nada! O que ele fez foi ajudar a tirar a vida de muitos dos nossos jovens. Espero sinceramente que o governo Lula não faça nada para beneficiá-lo como anistiado. Não podemos compensar traidor, muito menos em se tratando de um assassino confesso, símbolo do período mais triste de nossa história. Leia a entrevista completa.